27/07/2009

...continuação continuada...

Hoje sei que tive a sorte de viver uma das melhores fases da evolução humana, o limiar da era tecnológica e da era digital. Acreditem se quiserem, mas hoje do mundo todo, o Brasil é o melhor lugar do mundo para se morar. E não estou falando das belezas naturais e nem da sorte que temos de nossas catástrofes naturais limitarem-se a enchentes mal administradas pelos políticos, não é isso, eu falo do lugar onde o verdadeiro “american dream” pode acontecer.
Certa vez após ter assistindo a um documentário sobre a bi sexualidade em um canal pago, em uma madrugada de sexta feira, pensando no que havia de errado comigo, pois era véspera de carnaval, as escolas de samba de São Paulo preparando-se para entrarem na avenida, a narradora anunciando: - Rosas de Ouro entrando na avenida, encantado e colorido, todo mundo cantando! E eu, lendo o titulo do Messenger de ex caso, onde dizia: Te juro ser fiel ao nosso encontro - Felizzzzzz.
Jesus me acuda! Justo essa pessoa que me disse que não queria nada sério, que eu não pressionasse, pois ela era assim! Me poupe! Enfim, ouvindo os murmúrios que vinham do quarto ao lado, onde estavam “o casal mais feliz do mundo”,( mas esse é um capitulo a parte, depois falaremos sobre isso), então, eu ainda estava digerindo o papo que algumas horas antes tive com um amigo sobre passar uns dias em uma fazenda pausada, imaginando eu naquela mesmice da roça, vendo pato nadar, galinha ciscar, passarinho voar, peixe pular, pernilongo picar e eu reclamar (risos), e tudo isso acontecendo ao mesmo tempo e eu tive certeza de que, o que havia de errado comigo, era uma inadaptação ao meu tempo, ou seja, as coisas estavam rápidas demais para mim, por mais que me esforça-se para acompanhar, sentia fortemente a pressão que toda a informação e tecnologia tinham causado na raça humana e em minha pessoa, eu particularmente estava exausto, completamente destruído. E ainda tentando entender onde eu me encaixava na fazenda, na bi sexualidade, na felicidade alheia e na rejeição? Não encaixava!
É! Realmente eu não era Cinderela, aquele sapatinho de cristal liquido não era para meus olhos, ou melhor, para meus pés!
O leitor que até aqui ainda não entendeu nada, não sabe se isso tudo será um épico da contemporaneidade ou a biografia de um maluco, ou pior ainda, nem um nem outro, só uma epopéia de um prolixo lunático a beira de um colapso nervoso. Mas calma, vou chegar ao sonho americano, ou melhor, o sonho sul americano.
Mas antes, deixe-me divagar um pouco sobre a razão de tudo isso. Segundo o dicionário virtual Wikipédia, a depressão tem as seguintes significâncias:
Uma depressão é um ponto ou região mais baixa que os pontos à sua volta.
Por esta razão, o termo é usado em vários contextos:
Depressão nervosa é, do ponto de vista da medicina, considerada um estado mórbido, em que a mente ou o humor se encontra abaixo do nível ótimo do indivíduo.
depressão é, do ponto de vista da geografia física, uma região da superfície da Terra que se encontra mais profunda que a região à sua volta (pode dar origem a um lago);
Depressão tropical é, para os climatologistas, uma zona da atmosfera onde a pressão barométrica é mais baixa que à sua volta (pode dar origem a um ciclone ou outros fenômenos).
A Grande Depressão, para os historiadores, o período de grande recessão econômica mundial na década de 1930.
Depressão Econômica é um período em que ocorre um grande declínio na taxa de crescimento econômico de uma determinada região ou país.
Por algum motivo que não sei explicar, e por outros que me são discerníveis, quando completei quinze anos, o debute da adolescência para a fase adulta, todos sem exceção esqueceram do meu aniversário, até minha mãe ...imaginem-se completando anos, quinze mais exatamente, e ninguém liga, ninguém te cumprimenta, ninguém nada? Acho que a culpa foi do Collor, ele tomou o dinheiro de todo mundo e daí pra frente a vida foi um caos, então, é por isso que agradeço o Orkut, de verdade!
Nossas cabeças andam tão cheias de coisas que seria humanamente impossível lembrarmos destes detalhes...e a melhor parte é poder rir de tudo isso hoje em dia!
Eu ainda consigo rir? Sim, eu sempre me rio.
Durante minha vida, sempre gostei de criar teorias, e isso sempre foi motivo de chacota dos amigos, e eu explico o porque. Minhas teorias baseiam-se em uma leitura do caos quotidiano, fundamentada em uma necessidade insuportável de manter-me ao centro das atenções, e por meio da comédia, pois assim aumentada a empatia de minha platéia, conseguiria eu fixar-me por mais tempo nesse “Olimpo” pessoal. Por exemplo, minha teoria sobre a louça suja nas pias: Acho que horas árduas de trabalho nos permitem comermos alimentos que sejam, ao final das contas, recompensadores de nossas frustrações. E assim sendo, ao se sujar uma enormidade de louças para preparar uma lazagna, e depois o prazer de come-la, e repeti-la, e toda aquela "lesera" do pós comido, é humanamente inimaginável querer lavar a maldita louça que lota as duas cubas da pia. Tudo isso seria normal se não viesse acondicionado a uma dupla culpa, que é a de ter comido muito e estar se sentindo uma “porpeta rolante enorme” e a de que precisamos viver em lugares limpos para evitarmos doenças e visitas inesperadas de ratos e baratas.
Resumindo, a pia cheia de louça suja esta para humanidade assim como o cigarro para o fumante.

Oh Louie, Louie! Ainda com suas lamentações?

"Aos meus quase trinta e dois anos, eu, ao contrario de meus contemporâneos, não sei para onde estou indo, mas sei profundamente de onde estou vindo!
Sou o fruto da mais linda união neo sulista brasileira, ou seja, um paranaense da divisa de São Paulo com Paraná, meu pai Antonio, filho de uma paulista descendente de portugueses e italianos, avó “Licinha”e de um paulista filho de descendestes de italianos com austríacos, avô José, e, de uma pernambucana, minha mãe Salete, filha de uma descendente de índios com holandeses, a avó Luzia, e de um descendente de portugueses com negros, o avô Manoel. Dessa linda mistura maravilhosa que chamamos de brasileiros, surge eu, um Londrinense impar em minha concepção.
Não quero falar da rainha de ébano que foi roubada e estuprada pelo português que a comprou, nem da jovem holandesa que não resistiu aos carinhos do gentil, tão pouco falar do amor que surgiu em um navio vindo da Europa , entre um italiano e uma austríaca e muito menos contar dos dissabores das colônias italianas onde as festas regadas a vinho e a danças davam pano de fundo perfeito para a paixão entre a jovem portuguesinha e o italianinho tímido, não, eu não quero contar nada sobre isso.
Sei que para minha mãe chegar do nordeste para o sul não foi fácil, dessas historias que já ouvimos tantas vezes, da longa jornada de pau de arara ate são Paulo, da primeira vez que uma nordestinazinha avista tanta água que a faz acreditar que aquilo é o mar, e maravilhada, quase autista, ouve ao longe em um momento de lucidez alguém murmurar que aquilo tudo ali é o rio são Francisco, ou, mais intimamente falando, o velho Chico. Que para encarem essa jornada, a pobre mãe abandonada a sorte do sol e do sal do interiorzão de Pernambuco, minha vó Luzia, teve de vender todo o pouco que tinham, matar as três magras galinhas que estavam no quintal, cozinhá-las e para acondiciona-lãs, a fim de durarem a cruzada dos migrantes do êxodo nordestino da década de sessenta, mete-lãs na melhor porção possível da boa farinha de mandioca nordestina, e esse seria o cardápio dos dez próximos dias de viagem de Salgueiro a Londrina. Tudo isso para ir de encontro de meu avô, que já estava a algum tempo no eldorado do café, trabalhando como saqueiro e arrumando amantes aqui e ali, noticia esta que chegara mais rápido que a viagem de pau de arara ao Pernambuco. Enfim, não vou me delongar nessa introdução que mais fala da saga de tantos nordestinos em busca da promessa de oportunidades no sul do pais, não eu não vou. Nem tão pouco vou me atentar a dura vida de meu pai nas roças de café do interior do Paraná, com toda a sorte de infortúnios que a supersticiosa família dele se formou, também disso não vou falar.
Quero contar de mim, de meu tempo, de minha era."